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Inovação tecnológica deve ser contínua
Na Siemens, os investimentos em P&D refletem diretamente no resultado do conhecimento em cadeia: soluções desenvolvidas no Brasil por equipes internas em conjunto com universidades e centros de pesquisas nacionais estão na rota mundial da inovação tecnológica do grupo.

Inovar é prioridade na Siemens, tanto que sua força nesse sentido a coloca entre as dez do ranking mundial das companhias globais que mais investem em pesquisa e desenvolvimento. Em 2004, os investimentos da companhia em P&D atingiram o volume de US$ 6 bilhões, cerca de 6,3% de sua receita. No Brasil, a empresa investe cerca de 1,8% da sua receita, bem acima da média nacional, hoje é de 0,64%.

“Estar entre as primeiras reflete nosso empenho e tradição de trabalhar a inovação tecnológica internamente”, ressalta  Ronald Dauscha, diretor de Gestão de Tecnologia da Siemens Brasil. Se antes bastava a uma empresa ser grande para competir, nos tempos atuais em que os negócios mudam rapidamente, ser competitiva significa, antes de tudo, ter capacidade de inovar, ser ágil e eficaz e se antecipar às necessidades do mercado.


Fonte: IEEE Spectrum

Mas o que é inovação? “São ações criativas, diferenciais, sistematizadas e que efetivamente chegam ao mercado”, define Dauscha. Para medir a inovação é necessário ter aplicação prática de sistemas, metodologias e ferramentas orientadas à captação, tratamento e análise das informações que promovem o compartilhamento e potencialização do conhecimento aplicado a projetos de pesquisa e desenvolvimento.

Um ponto importante, e que já se tornou referência mundial, é a gestão do conhecimento dentro da companhia, considerada fundamental para que a inovação ocorra em cadeia. Ser uma rede global de inovação exige que a gestão do capital intelectual e o estímulo à criatividade de seus funcionários resultem em fornecimento de soluções inovadoras que agregam valor ao negócio dos clientes.

Atividades de pesquisa

Para unificar os esforços focados na inovação tecnológica a empresa  criou, em 1999, a área Corporate Technology (CT), responsável por formar, ampliar e coordenar as atividades de pesquisa, desenvolvimento, engenharia e suporte na geração local de produtos, serviços e soluções. Parte importante do trabalho da CT é fomentar as relações da Siemens com as universidades e centros de pesquisa em todo o país, com os quais estabelece troca de experiência, métodos e tecnologia.

Este elo com universidades e centros de pesquisa é um ponto crucial para o sucesso em inovação tecnológica. Além de garantir para si própria um elevado nível de inovação, contribui para o avanço da pesquisa, permitindo a fixação de professores, engenheiros, pesquisadores e cientistas brasileiros. Atualmente, a empresa mantém 12 convênios ativos e 70 projetos com instituições brasileiras. “Graças a iniciativas como esta, a Siemens Brasil tornou-se um pólo exportador de software”, destaca Dauscha.

Mercado global

As atividades de P&D desenvolvidas em Manaus e Curitiba estão inseridas na rota mundial da inovação tecnológica da Siemens. Segundo Luiz Mariano Julio, diretor de Parcerias Tecnológicas da Siemens Communications, quase tudo que é criado no Brasil se destina ao mercado global. “As áreas de Telefonia Fixa e Enterprise já têm parceria de longa data com a Siemens da Alemanha, nosso grande cliente interno. As áreas de Telefonia Móvel, tanto em Redes quanto em Terminais, existem há apenas três anos no país e já são responsáveis pela exportação de volumes extremamente significativos de serviços de P&D”, destaca.

A relevância obtida pelo Brasil dentro do grupo se deve em grande parte à excelência dos pesquisadores brasileiros e ao custo competitivo do desenvolvimento local, comparado com a maioria dos outros países candidatos. Mundialmente, a Siemens mantém cerca de cinco centros de P&D para cada uma de suas áreas de atuação, e o Brasil abriga um deles. “Isso é uma particularidade interessante, que somente Alemanha, Índia e China também conquistaram”, lembra Mariano.

Investimento em P&D

Hoje, 660 pessoas estão envolvidas em atividades de P&D na Siemens Communications. A área de Terminais Móveis responde pela maior parte dos dispêndios, seguida pela de Redes Móveis e pela Enterprise. As áreas de Redes Fixas, Terminais Fixos e Módulos Wireless também apresentam investimentos relevantes. No ano passado, os investimentos do grupo em P&D no Brasil somaram R$ 108 milhões. Desse total, a divisão respondeu por R$ 92 milhões – sendo que mais da metade disso direcionada para as atividades desenvolvidas em Manaus.

Neste ano, a estimativa da Siemens Communications é investir em torno de R$ 117 milhões, cerca de 25% sobre o total de investimento feito no exercício anterior e 18% acima da obrigação prevista pela Lei de Informática. As exportações de softwares para comunicações desenvolvidos no País atingiram no ano passado o volume de US$ 10 milhões – praticamente 10% do valor exportado pelo Brasil –, e poderá ultrapassar o valor de US$ 20 milhões neste ano, segundo prevêem os executivos da empresa.

A partir de outubro deste ano, quando a empresa passará a atuar sem a área de aparelhos celulares, adquirida pela BenQ, o volume de investimentos em P&D será proporcionalmente menor. Como esse tipo de investimento também se relaciona a novos projetos encomendados pelo mercado, há expectativa de que outros segmentos deverão crescer, compensando parte dessa redução.“Estamos apostando em um volume maior de encomendas de projetos nas áreas de redes fixas e móveis e de soluções corporativas”, diz Mariano.

Estímulos à pesquisa

Para disseminar informações de interesse ao ambiente de ciência, tecnologia e inovação, a Siemens criou, em 1999, um portal dedicado especialmente à inovação tecnológica, “com o objetivo de municiar analistas e gestores de áreas de tecnologia com ferramentas para tomada de decisão no processo de gestão da tecnologia e inovação da Siemens do Brasil”, destaca Dauscha. Outra iniciativa da companhia para estimular a pesquisa interna e se manter na posição de liderança tecnológica, é o Programa Inventor's Award que visa a premiar inventores na área da Propriedade Intelectual (IP).

Neste ano, em que comemora um século de atividades no Brasil, a empresa lança o Prêmio Werner von Siemens de Inovação Tecnológica, cujas inscrições estão abertas até o próximo dia 2 de setembro. O objetivo da Siemens é incentivar o aprimoramento tecnológico dentro do setor eletroeletrônico, por meio do reconhecimento de trabalhos desenvolvidos por estudantes e pesquisadores brasileiros. “Este prêmio é um instrumento que permite reconhecer novas idéias que impulsionem a ciência e a tecnologia no país”, avalia Dausha.

Para o executivo, existem no Brasil estímulos à inovação tecnológica que garantem às empresas multinacionais, com regionais no país, como a Siemens, desenvolver atividades locais de P&D. Cita como exemplos, o mercado atraente, a capacitação tecnológica de universidades, institutos de pesquisa, a disponibilidade de recursos humanos qualificados, alguns fomentos e incentivos à P&D (que, segundo avalia, ainda carecem de melhorias) e à fabricação local, a consolidação dos sistemas regionais de Ciência,Tecnologia e Inovação (C&T&I), bem como a ausência de barreiras culturais e legais. “Para a Siemens Brasil, estes são os principais estímulos que permitem agregar valor local”, destaca Dauscha.

Inovação é fruto dos investimentos em P&D

Como são aplicados os recursos destinados à P&D na Siemens Communications.

Na Siemens Communications Brasil, os recursos destinados à P&D cobrem o desenvolvimento de produtos como HIPath 1100 (100% desenvolvido no Brasil) e HiPath 1200 (desenvolvido em conjunto com a Alemanha), plataformas de comunicação para pequenas e médias empresas, além de aplicações como HiPath Xpressions, uma central inteligente de gerenciamento de informações corporativas, que permite receber mensagens de voz, fax e e-mail por uma única interface.

O Xpressions foi desenvolvido em conjunto pelas equipes de Curitiba e da Alemanha, que também trabalharam juntas no desenvolvimento das plataformas HiPath 3000 e 4000, voltadas para grandes corporações.
Essa interação existente entre equipes do Brasil e da Alemanha tem rendido frutos também na área de redes móveis. É o caso da plataforma LBS (Location Based Service), desenvolvida na Alemanha e sobre a qual as equipes de P&D de Curitiba e de Engenharia de Sistemas, de São Paulo, em parceria com o Centro de Estudos Avançados do Recife (CESAR) e do Centro Avançado de Engenharia e Serviços do Recife  (CAESER), estão desenvolvendo novas aplicações.

Trata-se de um conjunto de softwares que vão permitir às operadoras móveis oferecer serviços multimídia focados em ganhos de produtividade baseados em localização via celular, empregando sofisticados processos de “determinação posicional” providos pela plataforma.

Automação de serviços

Outro projeto importante é o software de automação da força de serviços, o SWA (sigla em inglês para Service Workforce Automation). Ele foi concebido pela equipe de Service, gerenciado tecnicamente pelas equipes de P&D de Curitiba e desenvolvido pelo Instituto Atlântico (Fortaleza). A ferramenta já está sendo aplicada para otimizar a operação e manutenção do Velox, serviço de banda larga da Telemar, no estado do Rio de Janeiro.

O SWA possibilita o despacho automático das ordens de serviço, identifica o técnico habilitado que estiver livre e mais próximo do local onde há necessidade de reparo ou instalação, conferindo rapidez e eficiência ao serviço. “É uma ferramenta fundamental para criar um diferencial de qualidade e ao mesmo tempo reduzir os custos operacionais”, observa Mariano. A flexibilidade é uma das vantagens deste software, uma vez integrado ao servidor de um centro de operações de rede, pode ser adotado nos serviços de manutenção da rede de qualquer operadora.

O Centro de Desenvolvimento de Redes Convergentes, em Curitiba, inclui o Brasil na cadeia de desenvolvimento de importantes projetos de 3G, redes de próximas gerações IP (NGN) e de centrais e soluções para comunicação em empresas. Desde março, o Centro está desenvolvendo também serviços multimídia para plataforma IMS (IP Multimedia Subsystem).

Já o Centro de P&D em Manaus, “caçula” do grupo,  desenvolve software para os celulares da companhia comercializados em todo o mundo. “Em breve, os usuários brasileiros poderão experimentar nossas aplicações quando a geração 75 entrar no mercado. Além da criação de componentes de software, que são a base para aplicações perceptíveis ao usuário, o centro também responde por aplicativos como árvores de menus, calculadoras e media player e, ainda, por aplicativos para conectar o celular a um PC, permitindo configurar facilmente o aparelho em dezenas de idiomas”, anuncia Mariano. 

 
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